Já disse ter o caráter feito. Arrisco dizer que desde então verdades irrefutáveis foram banidas da minha mente que se nutre de teimosia vã.
Como se a minha apreciação pelo tudo e pelo nada que sou estivesse nascendo. E, com a auto-estima maltrapilha, confundo os momentos em que estou viva e os em que não estou tão viva assim. Nos dias de vivacidade eu costumo me sentir alienígena em cima dos meus próprios saltos: é como se toda e qualquer relação se dê por eu deixar as coisas existirem por um mero faz-de-conta. E, contradizendo o meu estado semi-morta, os meus dias de fulgor são esses, em que forço a memória para lembrar que respiro. Em tais dias eu dou conta de que definições são tentativas de aproximação das coisas e que, portanto, não é relevante se eu não conseguir definir. A inglória aparece também nesses dias. E dela vem a inexplicável vontade de conquista. Mais que grandeza: poder de renascer.
E mesmo ritmando e correndo, meus passos são desiguais e lentos.
domingo, 18 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Próxima.
Tenho pensado em qual é a explicação quando se sente, muito, e não se sabe falar. Penso que deva ser desorganização do turbilhão de ideias e de sensações que vem se chegando. As crises de abstinência começam a aparecer e a bipolaridade parece de verdade. Cortejar a insanidade tem parecido bonito e manter o equilíbrio já não é mais o problema. Não há problema. Tudo é o problema. Um incômodo leva a outro e causa outro. E tudo acaba virando incômodo, tudo enche o saco e as pessoas fazem cansar. A maioria das coisas parece mesquinharia e não há mais algo que seja assim tão relevante.
Eu já não consigo fazer de conta. Eu penso e despenso e não ligo.
Desapego fácil demais. Não mais importa. Deixo assim.
E enquanto isso abraço o mundo de um jeito que somente eu consigo entender. Surpreender a mim fica a cada dia um pouco mais difícil. Acho que o quê continua igual é o sentir-se viva quando do aroma de café.
'Não há coisa que persista em todo o Universo. Tudo flui, e tudo só apresenta uma imagem passageira'. E o fundo dessas imagens sempre mostra a essência, dessa minha existência.
Eu já não consigo fazer de conta. Eu penso e despenso e não ligo.
Desapego fácil demais. Não mais importa. Deixo assim.
E enquanto isso abraço o mundo de um jeito que somente eu consigo entender. Surpreender a mim fica a cada dia um pouco mais difícil. Acho que o quê continua igual é o sentir-se viva quando do aroma de café.
'Não há coisa que persista em todo o Universo. Tudo flui, e tudo só apresenta uma imagem passageira'. E o fundo dessas imagens sempre mostra a essência, dessa minha existência.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Sabiedade
Levantou-se da mesa, o sábio, e disse:
- Nada sei, senhores! Sem vocês, eu nada sei!
Nisso, levanta um homem, de porte pequeno, com a barba por fazer e a camisa jogada para fora da calça. Caminha em direção ao bar e é notado pela simplicidade do seu ser. Quando se vê envolto de olhares, decide falar:
- Sabes, sim!, senhor. Nós somos somente o espelho de todas as tuas questões incessantes. Estás desiludido, apenas, meu caro. Mas não fiques assim, não, que o primeiro passo para se entender o 'quê' de tudo é compreender o que os outros siginificam para o nosso 'eu'.
E, surpreso, o sábio, ainda recostado na mesa molhada pela cerveja, movimenta a boca como num leve sorriso e num tom prepotente retruca o pequenino homem:
- E o que tu, senhor, fazes aqui? Já que sabes sobre as coisas por que não estás a fixar o teu nome no rol dos que sabem?
Agora o leve sorriso era do homem de porte pequeno, mas parecia mais um sorriso de decepção conformada. Pegou o casaco recostado sobre a cadeira, e andando lentamente olhou por completo o homem de pé:
- Ora, vejas... eu preciso dizer aos sábios o que eles têm que entender.
- Nada sei, senhores! Sem vocês, eu nada sei!
Nisso, levanta um homem, de porte pequeno, com a barba por fazer e a camisa jogada para fora da calça. Caminha em direção ao bar e é notado pela simplicidade do seu ser. Quando se vê envolto de olhares, decide falar:
- Sabes, sim!, senhor. Nós somos somente o espelho de todas as tuas questões incessantes. Estás desiludido, apenas, meu caro. Mas não fiques assim, não, que o primeiro passo para se entender o 'quê' de tudo é compreender o que os outros siginificam para o nosso 'eu'.
E, surpreso, o sábio, ainda recostado na mesa molhada pela cerveja, movimenta a boca como num leve sorriso e num tom prepotente retruca o pequenino homem:
- E o que tu, senhor, fazes aqui? Já que sabes sobre as coisas por que não estás a fixar o teu nome no rol dos que sabem?
Agora o leve sorriso era do homem de porte pequeno, mas parecia mais um sorriso de decepção conformada. Pegou o casaco recostado sobre a cadeira, e andando lentamente olhou por completo o homem de pé:
- Ora, vejas... eu preciso dizer aos sábios o que eles têm que entender.
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